A Pirâmide de Maslow e o Gerenciamento de Projetos

maslowWebGood72Desenvolvida em 1943 pelo psicólogo norte-americano Abraham H. Maslow, a pirâmide que levou seu nome, também conhecida como a hierarquia das necessidades humanas, é um modelo no qual determina as mínimas condições necessárias para que o ser humano atinja o máximo de satisfação pessoal e profissional. Como se trata de uma hierarquia, o indivíduo só conseguirá passar para um nível superior se as exigências do nível inferior estiverem plenamente satisfeitas.

Segundo o psicólogo, o ser humano tem como objetivo primário satisfazer suas necessidades até alcançar a tão sonhada auto realização plena. A pirâmide de Maslow trata, exatamente, da hierarquização destas necessidades ao longo da vida do indivíduo. O leitor mais astuto deverá estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o mundo corporativo ou o gerenciamento de projetos. É exatamente esta relação que demonstraremos neste pequeno estudo.

A pirâmide é dividida em cinco níveis hierárquicos, cada um voltado para um grupo de necessidades específicas. Na base da pirâmide concentram-se as necessidades básicas ou fisiológicas; o segundo nível é o da Segurança, seja a segurança pessoal ou no trabalho;  o terceiro nível agrupa as necesssidades sociais; o quarto nível reúne as necessidades de estima e status; o quinto e último grupo é o topo da pirâmide. É onde o indivíduo encontra sua realização plena. Relaciona-se com as necessidades de autonomia, a independência e o auto controle. Esquematicamente, temos o seguinte:

Pirâmide-de-Maslow

Entendendo-se um projeto como um ente independente e com um ciclo de “vida” próprio, não é difícil deduzir que ele também possui um conjunto de necessidades – das mais básicas às mais elevadas – que obrigatoriamente deverão ser satisfeitas para que se alcance o resultado esperado: a conclusão e entrega do projeto.

A Pirâmide de Maslow aplicada ao Gerenciamento de Projetos

Começando nossa análise pela base da pirâmide, quais seriam as necessidades mais básicas; mais elementares e fundamentais para o início da existência do ente projeto? Tão necessário quanto a água, o ar, e a comida para o ser humano,  o projeto – para ter seu início – necessita de recursos. Nesta categoria encontramos as matérias-primas; o orçamento do projeto; os funcionários que formarão o time de projetos e o tempo estimado para que o projeto seja entregue.

No segundo nível de sua escala de necessidades o projeto necessita de estabilidade tanto quanto os seres humanos necessitam de segurança. Neste nível, há que se garantir que o projeto conte com requisitos e escopo estáveis; que os recursos, prioridades, orçamento disponível e o pessoal do time de projetos não sofrerá mudanças bruscas ou desnecessárias. Garantindo-se a estabilidade do projeto, a equipe pode concentrar todos os seus esforços nas tarefas a serem executadas de acordo com o cronograma criado no nível anterior.

O terceiro nível da escala de necessidades concentra os propósitos do negócio, isto é, há uma necessidade intrínseca dos objetivos do projeto estarem alinhados aos propósitos do negócio da empresa. Caso contrário, a equipe de projetos poderá sentir-se diminuída em sua importância ou ter a sensação de estar trabalhando em um projeto para o qual ninguém dá muita importância. Este é um dos motivos pelos quais o apoio explícito da alta direção da empresa aos projetos em curso é sempre tão importante.

Alcançando-se o quarto nível da escala de necessidades do projeto torna-se importante trabalhar a auto estima do time de projetos.Para quem trabalha todo o tempo com prazos, recursos e orçamentos apertados, saber que está fazendo a coisa certa e ser reconhecido e valorizado por isso não tem preço. Nesta fase o trabalho do gerente de projetos torna-se crucial no sentido de valorizar e motivar os membros de seu time para que a performance do projeto permaneça em seu melhor nível. Manter seu time satisfeito e motivado é um grande passo rumo à entrega do projeto conforme o planejado.

O quinto e último nível da escala de necessidades diz respeito à entrega do projeto conforme o planejado e dentro dos custos e prazos inicialmente previstos. Mas aqui também  cabe, como na fase de auto realização do ser humano, a possibilidade de entregar um pouco mais do que o originalmente pedido ou com uma qualidade maior do que a esperada. É a fase que encerra os trabalhos e garante a satisfação de todos os envolvidos. Neste caso, nossa pirâmide teria a seguinte configuração:

Maslow1

O mais interessante, contudo, é perceber que estas  duas entidades – seres humanos e projetos – tão radicalmente distintas entre si, reagem de modo muito parecido no que tange a algumas particularidades da pirâmide de Maslow. Vejam só:

  1. Um nível deve ser satisfatoriamente concluído para que o indivíduo/projeto passe para a próxima etapa da hierarquia;
  2. Existe uma grande dinâmica nos movimentos entre os níveis da pirâmide, pois uma vez que uma necessidade do indivíduo/projeto é saciada, automaticamente surgem novas ânsias e objetivos a serem alcançados;
  3. Quanto mais se sobe na hierarquia de necessidades, mais difícil se torna a realização das mesmas;
  4. As necessidades não satisfeitas implicam em um comportamento negativo do indivíduo/projeto, gerando sentimentos como insatisfação, desmotivação para o trabalho; medo do futuro; queda na performance do time de projetos; etc.

A minha experiência prática comprova que o entendimento da dinâmica da pirâmide de Maslow no ambiente profissional, e particularmente no âmbito do gerenciamento de projetos é de grande utilidade.

Trata-se de uma ferramenta poderosa e capaz de auxiliá-lo a identificar fatores comportamentais que estão afetando a performance de seu time de projetos e também a saber quais necessidades deverão ser satisfeitas para que seus projetos sejam entregues da melhor forma possível. Não é uma ferramenta mágica que resolverá todos os seus problemas, mas se bem utilizada mostra-se bastante útil.


Referências Bibliográficas:

(1) MASLOW, Abraham H.. Motivation and personality. New York: Harper, 1954.

(2) BRENNER, Rick. Maslow’s Hierarchy of Needs for Project Organizations. Disponível em: <https://www.chacocanyon.com/essays/hierarchyofneeds.shtml&gt;. Acesso em: 25 maio 2016.

(3) PERIARD, Gustavo. A hierarquia de necessidades de Maslow – O que é e como funciona. 2011. Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/a-piramide-hierarquia-de-necessidades-de-maslow/&gt;. Acesso em: 25 maio 2016.

(4) ORFANO, Finn; MCDONOUGH, Michele. Maslow’s Hierarchy For Project Management. 2013. Disponível em: <http://www.brighthubpm.com/monitoring-projects/50474-maslows-hierarchy-for-project-management/&gt;. Acesso em: 25 maio 2016.

(5) BUCCI, Elisabeth. Maslow’s Pyramid: the Video Game of Life. 2010. Disponível em: <http://www.thepassionateprojectmanager.com/2010/02/10/maslows-pyramid-the-video-game-of-life/&gt;. Acesso em: 25 maio 2016.

(6) MCCULLOUGH, David. Path Between the Seas: The creation of the Panama Canal, 1870-1914. New York: Simon And Schuster, 1978.

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